Vendo a Providência

Nós cristãos vemos os acontecimentos do dia-a-dia por um prisma especial – contemplando a guia e o cuidado de Deus em nossa vida. É assim que vejo o que aconteceu no último fim de semana. Meu filho tinha vindo ao DF para tomar algumas providências (depois conto essa outra história), tínhamos almoçado juntos num restaurante próximo da estrada que ele tomaria para retornar à cidade onde mora.
Ele estava com a esposa e o filhinho menor, de um ano, que ainda mama. Na saída do restaurante tinham comprado alguns pirulitos e bombons para darem às outras crianças maiores, que tinham ficado em casa com a vovó.
Resolveram então, logo no início do caminho, darem um pirulito para o Davi. Sabemos que não se devem dar balas e doces com consistência muito dura para crianças nessa idade, pois é perigoso. Tanto é perigoso que o menino teve um engasgo alguns minutos depois. E então, no meio da estrada, eles estavam com uma séria emergência – o Davi não conseguia respirar e os pais ficaram muito aflitos. Foi um sufoco – contaram depois.
Alguns anos atrás, o Alessandro, meu filho, tinha trabalhado numa escola de equitação e, como são comuns os acidentes nessa área, teve um curso de primeiros socorros. Depois, foi trabalhar na área operacional de uma empresa de logística, onde também recebeu o mesmo curso. Vejo aí a Providência Divina. O problema aconteceu, mas o pai do bebê tinha instruções sobre como proceder nessa situação. Como não pôde parar imediatamente o carro, orou mentalmente e passou à esposa a instrução sobre a manobra que deveria ser feita, que ela iniciou mas não obteve efeito. Então ele conseguiu parar o carro num local seguro e ele mesmo procedeu a manobra, fazendo com que o objeto que obstruía a respiração fosse expelido e o Davi voltasse a respirar.
O resto da viagem transcorreu normal.
Vejo aí duas lições: temos de ser previdentes no cuidado com as crianças, evitando locais e procedimentos que possam causar acidentes a elas. É indicado sempre que os pais leiam e se informem a respeito de como agir para evitar essas situações de risco para as crianças, principalmente para as pequenas, abaixo de três anos.
A outra lição é que, mesmo que nós erremos em alguma coisa, ou, por um acidente, nós ou nossos filhos sejamos envolvidos num perigo, nosso Deus pode nos livrar,  algumas vezes providenciando um agente para trazer o socorro necessário. No caso, o próprio pai do bebê, meu filho Alessandro, foi o agente que Deus usou para dar socorro ao Davi.
“O Senhor é o meu pastor: nada me faltará.
Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranquilas. (…)
Ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada.
Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo;
tu me proteges e me diriges.” (Salmo 23:1 e 4)

Exercitando

Nas recordações que tenho de minhas visitas à casa de minha mãe em Porto Alegre, posso visualizá-la lendo o jornal e respondendo às palavras cruzadas. Hoje não pode resolvê-las completamente sozinha, pois a visão diminuiu muito e alguém lê as cruzadas do mesmo jornal para ela, que ainda dá algumas opiniões a respeito. A propósito, o gosto pelas palavras cruzadas passou para a acompanhante de minha mãe, que faz o possível e o impossível para resolvê-las completamente antes que chegue a resposta no próximo jornal.
Também  gosto desse tipo de exercício mental, mas atualmente há outras formas de exercício que podem ser realizados, não sei se com resultado tão bom, para manter a lucidez ao longo dos anos.
Refiro-me aos jogos virtuais existentes nos diversos sites. Há alguns desses jogos que exercitam a coordenação motora principalmente, como aqueles de que os meninos gostam – corridas de carro, provas de hipismo, até uma corrida dentro da “escola” em que incrivelmente o herói precisa enfrentar tanto os colegas como os monitores e de vez em quando passa pela sala de aula. Nesse tipo de jogos não me saio bem, mas vejo que os adolescentes e jovens têm ótimo desempenho neles.
Há outros jogos que desenvolvem a capacidade de estratégia e até o raciocínio matemático, como aqueles em que você deve desenvolver plantações e indústrias de transformação de forma a conseguir lucros maiores para mudar sempre de nível, ou aquele em que o jogador deve criar uma cidade, que se desenvolverá ao longo do tempo, aumentando o número de habitantes, de serviços, de lojas comerciais, de produtos produzidos ou importados de outras “cidades”. Gosto bastante deste jogo. É educativo até no sentido de que você não pode jogar indefinidamente. Há um tempo, que não é longo,  determinado pelo número de energias, ao término das quais o jogador pode ser aconselhado automaticamente a “deixar esfriar o computador”.
Porque em todos esses exercícios há um perigo, o de você esquecer do tempo e dedicar mais horas  a eles do que às outras atividades. Creio que esse é o motivo do insucesso de alguns alunos adolescentes.  Ainda, há um perigo maior, o de esquecer que é necessário utilizar nas atividades virtuais os mesmos fundamentos morais em que você alicerça sua vida. Não existe a dissociação do “eu” da internet e do “eu” da vida real. São uma só pessoa. Assim, desaconselho totalmente aqueles jogos em que as crianças ( e também o adolescente e adultos) são incentivados a “roubar” a mobília ou as plantas dos outros participantes do jogo, para colocá-los no seu próprio ambiente, ou a agredir ou a usar de violência, ou de outra conduta inadequada.  Enfim, todas essas atividades são exercidas pela pessoa como um todo e, onde quer que esteja, deve ser guiada pelos princípios que considera.
Concluindo com um versículo da Palavra de Deus: “Quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” I Coríntios 10:31

Sonhando com um manual

Esta história é mesmo sobre um sonho.
Estava na casa do meu filho e, durante a noite de ontem, tive um sonho interessante. Eu me encontrava no meu antigo serviço (do qual me aposentei há mais de 10 anos) e devia redigir um capítulo de manual (tarefa que eu realmente costumava executar). Ocorre que havia duas versões para o início do capítulo, uma era sugerida por um assessor da presidência – só que no meu sonho ele era um antigo diretor da escola de meu neto. A outra versão era sugerida por um assessor de organização e métodos – que no sonho era um professor meu colega. Eu tinha que ir à sala dos dois e decidir que estilo usar na redação.
Recordo até que a versão sugerida pelo assessor da presidência era uma espécie de justificativa e a do homem de organização e métodos simplesmente citava os procedimentos. Eu havia optado pela segunda versão, porque era a fórmula usual. A justificativa só ficaria bem numa exposição de motivos. Mas no sonho apenas fui aos dois gabinetes e não cheguei a resolver nada com os dois assessores.
Ainda sobre sonhos, até há pouco tempo  atrás, mais de 30 anos depois de terminar meu curso de música, ainda sonhava que precisava concluí-lo. É que tive de interromper o curso quando assumi um cargo num banco público e não podia assistir às aulas, que aconteciam no período diurno. Após um ano, a chefia permitiu que eu assistisse algumas aulas, e assim graduei-me também em piano.
Muito maravilhoso o funcionamento do cérebro humano. Dados de uma atividade desenvolvida há mais de dez anos apareceram associados a pessoas que conheço de um passado mais recente e tudo isso deve ter sido ativado por alguma vivência atual.
Isso me lembra duas coisas:  como é importante aquilo que vemos,  ouvimos e fazemos, já que nosso cérebro pode armazenar por tanto tempo tudo isso; como é importante o que oferecemos aos olhos e ouvidos das crianças e jovens. Isso irá alimentar a atividade do cérebro delas por muito tempo nas suas vidas, provavelmente por toda a existência delas.
Enfim, como dizia o salmista: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste.”  “(…) de longe conheces todos os meus pensamentos.” “Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Sal. 139)

Com quem ficam as crianças

“Ana tornou-se mãe. E foi maravilhosa a sensação de ter sua filha nos braços e amamentá-la. Foram três meses de sonho os da licença-maternidade. Quando teve de voltar a trabalhar, na sua inexperiência contratou uma menina de quatorze ou quinze anos para cuidar do bebê. Felizmente a avó costumava visitar a neta para ajudar com algumas providências durante o horário de expediente da jovem mãe e uma vizinha contou que o bebezinho era colocado em cima do parapeito da janela em seu bercinho portátil – que era chamado “moisés” à época – enquanto a pequena babá admirava o que se passava na rua. Além disso, descobriu-se a tempo que a menina-babá não sabia ver as horas e assim as mamadeiras não eram administradas no tempo certo. Dessa forma, Ana é grata à mãe por ter cuidado seu bebê na casa dela, avó, por algum tempo. Ana levava o bebê nos fins-de-semana. Como era uma época de inverno, não seria seguro  levá-lo no frio todos os dias de uma casa para outra de manhã e à tarde.”

Este fragmento de história de vida na realidade confunde-se com minha própria história e pode relacionar-se com sua história, se você exerce atividades profissionais fora de casa. Temos lido de câmeras que detectam comportamento agressivo de babás e, na história, o comportamento inadequado foi verificado por um sensor humano – a própria avó, que costumava visitar a casa da filha para ver o bebê e que depois do acontecido passou a cuidar da netinha.

Essas são duas das soluções encontradas pelas mães: deixar as crianças com uma babá, deixar na casa dos avós. Foram as duas primeiras soluções que adotei. A babá me decepcionou: faltava e não seguia as orientações que eu deixava. Em seguida, minha filha mais velha ficou na casa da avó, que a cuidou com muita dedicação – mas eu precisei ficar longe do bebezinho durante toda a semana, pois não era possível buscá-la todos os dias.

Quando fui transferida para uma outra cidade, ao chegar não conhecia ninguém e a melhor solução que encontrei foi colocar meus filhos – já eram dois, e eu tinha saído recentemente de nova licença-maternidade – em uma creche em que havia uma equipe de babás supervisionada por religiosas. Lá eles ficaram por dois anos. Era agradável levá-los toda a manhã e buscá-los de volta para casa à tarde, trajeto que era feito a pé nos primeiros meses, uns 3 quilômetros de cuidado, trajeto que eu percorria com meu esposo.

Quando os meninos chegaram à idade de serem matriculados numa escola maternal, deixaram de ir à creche e passaram a ficar na escola meio expediente e no outro – nova solução – com uma secretária do lar, que aliás ficou morando em nossa casa por 20 anos aproximadamente.

Em todas essas soluções, como cada uma de vocês, leitoras, pode imaginar e deve até já ter observado em suas vidas, há problemas e contraindicações. Mas o importante é que nós, mães, não deixemos de cumprir nosso papel, tendo um tempo regularmente mantido para acompanhamento de nossos filhos. Esse tempo pode incluir cânticos, histórias (não esquecendo as lições da Bíblia), gestos de carinho, olhares, ou simplesmente o calor da companhia. O que nossos filhos levam para a vida adulta deles são esses registros da infância e todas queremos que registrem o amor, a atenção, a dedicação dos pais, marcados também na escolha que fazem da solução para deixar as crianças enquanto trabalham.
Quando Deus enviou Seu Filho a esta terra, o pequeno Bebê foi confiado a Maria e José e o Menino crescia em “sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens”. Que os momentos que passamos com nossos filhos, que foram confiados a nós,  os ajudem a crescer na semelhança de Jesus.