Até que a morte nos separe

A propósito do “Dia dos Namorados”, vejam este ângulo da minha história ao lado do Claudio, meu marido. E desejo feliz Dia dos Namorados para todos os casais.

Lembrei ontem do que aconteceu após dois anos de namoro com o Claudio. Um dia, de um momento para o outro, ele me disse que estava doente, com uma das piores doenças conhecidas então. Naquela época, uma das piores doenças conhecidas era a tuberculose.(A outra doença muito temida era o câncer, cujo nome, naquela década de 1970, não era nem mesmo pronunciado, quando alguém o contraía.)O Claudio perdeu o pai muito cedo e teve de trabalhar para ajudar no sustento da família. Por um erro de cálculo, que só recentemente foi reconhecido pela justiça, a mãe, viúva, recebia uma pensão ínfima, embora o falecido esposo tivesse ocupado um posto intermediário na polícia militar do estado. Como era muito frio, e ele trabalhava numa empresa de ônibus, o jovem adquiriu uma gripe, e posteriormente pneumonia, o que facilitou a invasão do organismo pelo chamado bacilo de Koch.
Até hoje ele não gosta  de que se lembre essa ocasião, em que adoeceu por contágio de um companheiro de trabalho .
Eu tinha 20 anos, cursava os últimos anos da faculdade, namorava o Claudio desde 19, era meu primeiro namorado e estava pretendendo casar logo com ele e agora sabia desse problema de saúde. E, umas duas semanas depois de saber disso, tive outra notícia: ele estava hospitalizado e a única forma de tratamento era a cirurgia, pois o tratamento com remédios (que já começara há mais tempo) não estava tendo resposta. Contei em casa e a reação foi a pior possível – tuberculose mata, você quer ficar viúva logo após o casamento? Termine logo com esse namoro.
Evidentemente que não terminei o namoro, porque sou teimosa, e penso com meu próprio cérebro até hoje. Pelo contrário, ia visitar o Claudio no hospital, embora contra a posição de meus familiares, e  sérios problemas abalaram  minha vida de estudante tranquila. 
Enfim, ele passou 6 meses no hospital, trocando correspondência comigo (que meu cunhado que trabalhava no centro da cidade transportava), fez uma cirurgia em que retirou um segmento do pulmão, da qual hoje resta apenas uma pequena sequela, continuou trabalhando, aposentou-se há dez anos, por tempo de serviço, casamos no fim daquele ano em que esteve hospitalizado e hoje estamos próximos de 40 anos de casamento.
Mas durante esses quarenta anos, a exemplo do primeiro grande problema que tivemos, e que relatei aqui, houve outros, do mesmo gênero. Uns dez anos depois o Claudio  teve outra doença infecciosa e infelizmente deixou de ser admitido numa empresa pública, pois perdeu o prazo; depois passou por uma cirurgia de abdômen que devia ter durado meia hora e demorou  algumas horas (lembro-me de ter orado muito quando soube que a cirurgia programada inicialmente tinha sido alterada); mais uns dez anos e começou a ter problemas no coração (na época, eu, que sou muito intrometida – é um de meus defeitos e virtudes – pedi uma radiografia do tórax por conta própria, após uma falta de ar prolongada, que não cessou com o uso dos medicamentos recomendados e aí foi descoberta a causa das dificuldades respiratórias – uma doença cardíaca).
A última doença séria que o meu esposo sofreu até hoje- felizmente isso já faz mais de cinco anos – foi um câncer de pele num local que poderia ter atingido rapidamente o pulmão. Como sou bastante insistente também, além de intrometida, ele terminou indo ao médico antes que algum órgão interno fosse atingido e, graças a Deus, conseguiu um tratamento num hospital público ótimo, e perfeitamente a tempo.
Lembrei de tudo isso ontem porque tivemos, sexta-feira e sábado últimos, três palestras de uma psicóloga cristã conhecida nacionalmente, cujo nome não vou citar, pois não tenho permissão para isso. Ela falou sobre vários aspectos da convivência familiar, dirigiu-se primeiro aos jovens, depois a todos, depois em particular para os casais, mostrando as dificuldades que há na vida conjugal, devido às diferenças básicas entre o modo de pensar e agir de homem e mulher.
Por fim, contou a experiência de sua vida, em que teve um ótimo casamento -embora tenha enfrentado problemas gravíssimos – mas que foi interrompido pela morte do esposo. Uma das afirmações da palestrante na conclusão da série de palestras lembrava que a vida é na realidade frágil e curta e cabe a nós torná-la mais agradável para nosso cônjuge. E vice-versa. Por isso, prometemos amor até que a morte nos separe.  
Uma reflexão sobre isso pode nos levar a aproveitar melhor os momentos que temos em família, não só com o cônjuge mas também com nossos filhos e netos, enquanto convivendo conosco no lar.
Aprendi também ontem um versículo importante na Bíblia – a Palavra do Senhor a Moisés, prometendo guiar o povo em todas as dificuldades através do deserto: “Eis que eu envio um Anjo adiante de ti, para que te guarde pelo caminho e te leve ao lugar que tenho preparado.” (Êxodo 23:20)
Assim como o povo de Israel, estamos numa caminhada, e, com certeza, há dificuldades, mas a certeza que temos é que Deus proverá sua guia e cuidado também para atravessarmos o deserto – com suas pedras, areia e vento.

Vendo a Providência

Nós cristãos vemos os acontecimentos do dia-a-dia por um prisma especial – contemplando a guia e o cuidado de Deus em nossa vida. É assim que vejo o que aconteceu no último fim de semana. Meu filho tinha vindo ao DF para tomar algumas providências (depois conto essa outra história), tínhamos almoçado juntos num restaurante próximo da estrada que ele tomaria para retornar à cidade onde mora.
Ele estava com a esposa e o filhinho menor, de um ano, que ainda mama. Na saída do restaurante tinham comprado alguns pirulitos e bombons para darem às outras crianças maiores, que tinham ficado em casa com a vovó.
Resolveram então, logo no início do caminho, darem um pirulito para o Davi. Sabemos que não se devem dar balas e doces com consistência muito dura para crianças nessa idade, pois é perigoso. Tanto é perigoso que o menino teve um engasgo alguns minutos depois. E então, no meio da estrada, eles estavam com uma séria emergência – o Davi não conseguia respirar e os pais ficaram muito aflitos. Foi um sufoco – contaram depois.
Alguns anos atrás, o Alessandro, meu filho, tinha trabalhado numa escola de equitação e, como são comuns os acidentes nessa área, teve um curso de primeiros socorros. Depois, foi trabalhar na área operacional de uma empresa de logística, onde também recebeu o mesmo curso. Vejo aí a Providência Divina. O problema aconteceu, mas o pai do bebê tinha instruções sobre como proceder nessa situação. Como não pôde parar imediatamente o carro, orou mentalmente e passou à esposa a instrução sobre a manobra que deveria ser feita, que ela iniciou mas não obteve efeito. Então ele conseguiu parar o carro num local seguro e ele mesmo procedeu a manobra, fazendo com que o objeto que obstruía a respiração fosse expelido e o Davi voltasse a respirar.
O resto da viagem transcorreu normal.
Vejo aí duas lições: temos de ser previdentes no cuidado com as crianças, evitando locais e procedimentos que possam causar acidentes a elas. É indicado sempre que os pais leiam e se informem a respeito de como agir para evitar essas situações de risco para as crianças, principalmente para as pequenas, abaixo de três anos.
A outra lição é que, mesmo que nós erremos em alguma coisa, ou, por um acidente, nós ou nossos filhos sejamos envolvidos num perigo, nosso Deus pode nos livrar,  algumas vezes providenciando um agente para trazer o socorro necessário. No caso, o próprio pai do bebê, meu filho Alessandro, foi o agente que Deus usou para dar socorro ao Davi.
“O Senhor é o meu pastor: nada me faltará.
Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranquilas. (…)
Ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada.
Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo;
tu me proteges e me diriges.” (Salmo 23:1 e 4)

Um hino para meditar

Inspirada na leitura de artigos de alguns blogs cristãos, lembrei do exemplo de Cristo – uma vida pelo próximo e estou postando para vocês este belo hino:
“(…)
Muitos da vida cansados estão
Sim, ajuda hoje alguém.
Muitos procuram obter salvação
Sim, ajuda hoje alguém.Sim, ajuda hoje alguém.
Demonstra-lhe amor também.
Remove o temor e promove o amor.
Ó sim, ajuda hoje alguém.”
(do Hinário Adventista)

Hoje ajuda alguém

O que mamãe espera no Dia das mães

 

É início de maio, início do mês das mães.
No segundo domingo de maio, a mãe é homenageada, lembrada, presenteada.
O comércio, a indústria esperam que se comprem muitos presentes.
É certo que as mães amam presentes, mas o que mais esperam nesse dia que se aproxima?
A mãe de crianças pequenas pode esperar um dia de tranquilidade, em que possa estar apenas acompanhada de seus meninos e do pai deles, quem sabe sem ter de lavar a louça e as roupas e limpar a casa.
A mãe de adolescentes espera que não saiam de casa nesse dia, pelo menos na hora do almoço, e que a acompanhem numa refeição alegre, com conversação alegre e sem temas polêmicos.
A mãe de filhos adultos espera que os mais próximos venham passar o dia ou quem sabe uma hora com ela e que contem histórias e fatos agradáveis. Com certeza quer que tragam os netos, para que todos contemplem nas crianças a graça, a inocência, o futuro e fiquem felizes com isso. E que os que moram mais longe telefonem, mandem cartões, mensagens.
A mãe quer ser lembrada e amada.
Não é isso que diz o conselho bíblico sobre honrar pai e mãe, para que se prolonguem os dias na terra?

 

Porque Ele vive

 
O hino predileto da Priscila Gabriela, que cuidou do Lucas Felipe durante um período quando ele era criança (o tempo passou e, após o ensino médio, Priscila é atendente numa clínica médica), era “Porque Ele vive”, de William e Glória Gaither, que nos diz:
“Deus enviou Seu Filho amado/Para sofrer em meu lugar;/Na cruz morreu mas vivo agora está,/Pois ressurgiu e para sempre viverá./Porque Ele vive, posso crer no amanhã;/Porque Ele vive, temor não há./Eu sei que minha vida não será mais vã,/Pois meu futuro em Suas mãos agora está.”
Cantando o hino, agora estamos alegres, porque Cristo morreu e ressuscitou, mas foi muito difícil para os discípulos que haviam também cantado um hino com Jesus após a refeição da Páscoa na mesma semana, verem o Mestre ser sepultado depois de sofrer uma morte vergonhosa na cruz.  Embora Ele houvesse profetizado que os deixaria e ressuscitaria, eles não podiam entender ainda porque a morte havia acontecido e ainda não acreditavam na ressurreição. Para eles era o fim de tudo que tinham sonhado.
Entretanto, no domingo seguinte,  as mulheres que foram cedo para ungir o Senhor morto, após descansarem no sábado,  encontraram a tumba vazia e ouviram a mensagem do anjo: “… buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto.” (Marcos 16:6)
Demorou algum tempo até que todos os discípulos recebessem a mensagem da ressurreição e acreditassem nela, mas foram esses onze discípulos e os demais seguidores que abraçaram essa verdade e, mesmo sob perseguição severa, levaram a notícia ao mundo que hoje comemora a Páscoa praticamente em todos os lugares.
É a tristeza transformada em alegria. Cristo morreu para salvar o homem do pecado. Cristo ressurgiu, porque triunfou sobre a morte e por isso podemos ser vitoriosos com Ele e ter esperança no futuro.
Na manhã da ressurreição as mulheres se admiraram, depois se alegraram  e levaram a notícia, com júbilo que se multiplicou .
Hoje, o acontecimento será relembrado de muitas formas, e também na minha igreja isso acontecerá. Este dia, no meu entender,  deve ser de alegria, de celebração da vitória de Cristo, que também pode nos dar a vitória de que precisamos em nossa vida, que pode nos dar a esperança de estar sempre com Ele agora e no futuro. 
E ouçam o belo hino “Porque Ele vive”. Priscila, você também está convidada para a encenação desta sexta-feira à noite.
 
Porque Ele vive

Exercitando

Nas recordações que tenho de minhas visitas à casa de minha mãe em Porto Alegre, posso visualizá-la lendo o jornal e respondendo às palavras cruzadas. Hoje não pode resolvê-las completamente sozinha, pois a visão diminuiu muito e alguém lê as cruzadas do mesmo jornal para ela, que ainda dá algumas opiniões a respeito. A propósito, o gosto pelas palavras cruzadas passou para a acompanhante de minha mãe, que faz o possível e o impossível para resolvê-las completamente antes que chegue a resposta no próximo jornal.
Também  gosto desse tipo de exercício mental, mas atualmente há outras formas de exercício que podem ser realizados, não sei se com resultado tão bom, para manter a lucidez ao longo dos anos.
Refiro-me aos jogos virtuais existentes nos diversos sites. Há alguns desses jogos que exercitam a coordenação motora principalmente, como aqueles de que os meninos gostam – corridas de carro, provas de hipismo, até uma corrida dentro da “escola” em que incrivelmente o herói precisa enfrentar tanto os colegas como os monitores e de vez em quando passa pela sala de aula. Nesse tipo de jogos não me saio bem, mas vejo que os adolescentes e jovens têm ótimo desempenho neles.
Há outros jogos que desenvolvem a capacidade de estratégia e até o raciocínio matemático, como aqueles em que você deve desenvolver plantações e indústrias de transformação de forma a conseguir lucros maiores para mudar sempre de nível, ou aquele em que o jogador deve criar uma cidade, que se desenvolverá ao longo do tempo, aumentando o número de habitantes, de serviços, de lojas comerciais, de produtos produzidos ou importados de outras “cidades”. Gosto bastante deste jogo. É educativo até no sentido de que você não pode jogar indefinidamente. Há um tempo, que não é longo,  determinado pelo número de energias, ao término das quais o jogador pode ser aconselhado automaticamente a “deixar esfriar o computador”.
Porque em todos esses exercícios há um perigo, o de você esquecer do tempo e dedicar mais horas  a eles do que às outras atividades. Creio que esse é o motivo do insucesso de alguns alunos adolescentes.  Ainda, há um perigo maior, o de esquecer que é necessário utilizar nas atividades virtuais os mesmos fundamentos morais em que você alicerça sua vida. Não existe a dissociação do “eu” da internet e do “eu” da vida real. São uma só pessoa. Assim, desaconselho totalmente aqueles jogos em que as crianças ( e também o adolescente e adultos) são incentivados a “roubar” a mobília ou as plantas dos outros participantes do jogo, para colocá-los no seu próprio ambiente, ou a agredir ou a usar de violência, ou de outra conduta inadequada.  Enfim, todas essas atividades são exercidas pela pessoa como um todo e, onde quer que esteja, deve ser guiada pelos princípios que considera.
Concluindo com um versículo da Palavra de Deus: “Quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” I Coríntios 10:31

Sonhando com um manual

Esta história é mesmo sobre um sonho.
Estava na casa do meu filho e, durante a noite de ontem, tive um sonho interessante. Eu me encontrava no meu antigo serviço (do qual me aposentei há mais de 10 anos) e devia redigir um capítulo de manual (tarefa que eu realmente costumava executar). Ocorre que havia duas versões para o início do capítulo, uma era sugerida por um assessor da presidência – só que no meu sonho ele era um antigo diretor da escola de meu neto. A outra versão era sugerida por um assessor de organização e métodos – que no sonho era um professor meu colega. Eu tinha que ir à sala dos dois e decidir que estilo usar na redação.
Recordo até que a versão sugerida pelo assessor da presidência era uma espécie de justificativa e a do homem de organização e métodos simplesmente citava os procedimentos. Eu havia optado pela segunda versão, porque era a fórmula usual. A justificativa só ficaria bem numa exposição de motivos. Mas no sonho apenas fui aos dois gabinetes e não cheguei a resolver nada com os dois assessores.
Ainda sobre sonhos, até há pouco tempo  atrás, mais de 30 anos depois de terminar meu curso de música, ainda sonhava que precisava concluí-lo. É que tive de interromper o curso quando assumi um cargo num banco público e não podia assistir às aulas, que aconteciam no período diurno. Após um ano, a chefia permitiu que eu assistisse algumas aulas, e assim graduei-me também em piano.
Muito maravilhoso o funcionamento do cérebro humano. Dados de uma atividade desenvolvida há mais de dez anos apareceram associados a pessoas que conheço de um passado mais recente e tudo isso deve ter sido ativado por alguma vivência atual.
Isso me lembra duas coisas:  como é importante aquilo que vemos,  ouvimos e fazemos, já que nosso cérebro pode armazenar por tanto tempo tudo isso; como é importante o que oferecemos aos olhos e ouvidos das crianças e jovens. Isso irá alimentar a atividade do cérebro delas por muito tempo nas suas vidas, provavelmente por toda a existência delas.
Enfim, como dizia o salmista: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste.”  “(…) de longe conheces todos os meus pensamentos.” “Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Sal. 139)

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